Pesquisa Ethos



PERFIL SOCIAL, RACIAL E DE GÊNERO DAS 500 MAIORES EMPRESAS DO BRASIL E SUAS AÇÕES AFIRMATIVAS




O Instituto Ethos tem como objetivo a mobilização, sensibilização e promoção da ajuda às empresas pra gerir seus negócios de forma socialmente responsável, para a formação de uma sociedade sustentável e justa. Para isso, efetua um famoso conjunto de pesquisas sobre o Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil e Suas Ações Afirmativas, possuindo já seis edições.

Como descrito no documento, "Este levantamento pretende retratar o público interno das grandes corporações e mostrar os eventuais desequilíbrios em sua composição no que se refere a sexo, cor ou raça, faixa etária, escolaridade e presença de pessoas com deficiência. Visa assim contribuir para que cada gestor reflita a propósito das práticas que pode adotar para valorizar a diversidade e promover a equidade no ambiente de trabalho".

Sexo - pelas pesquisas do IBGE
  • O nível de instruções das mulheres é superior ao dos homens, sendo assim, levanta-se uma questão: por que as mulheres continuam recebendo menos cargos e menor remuneração?
    - A reflexão tirada desse tema é de como o machismo ainda toma conta da mentalidade da população, gerando um pensamento de que, de alguma forma, as mulheres são inferiores. Elas devem receber remuneração de acordo com seu nível de instrução.
  • A maioria do sexo feminino está concentrada na prestação de serviços.
    - Dificilmente as mulheres são promovidas para cargos maiores como gerência, supervisão ou quadro executivo. Por mais que tenha crescido a taxa de atuação delas nessas áreas desde 2010, por exemplo, ainda é uma participação baixa e desmerecedora.
Cor e Raça - pela pesquisa IPEA
  • A maioria da população é constituída por negros no Brasil, ainda assim há uma profunda desigualdade racial, demonstrada em um crescente número de mortes de negros no território nacional.
    - A carga histórica que contém o racismo é muito grande, e mesmo com essa comunidade tendo conquistado muitas coisas e sendo maioria, há quem os considere inferiores simplesmente pela cor da pele.
  • 52% da força de trabalho no brasil é realizada por negros, ainda assim eles são minoria trabalhando em grandes empresas (mesmo com a crescente a formação educativa desses indivíduos no nível superior)
    - Os cargos ocupados por esses grupos de pessoas são os considerados menos renomados, assim como as mulheres, muitas vezes nem chegam a ocupar cargos de alto nível empresarial
    - A subcategoria da mulher negra é ainda mais prejudicada no mercado de trabalho, sendo sua mão-de-obra distribuída, na maior parte, em atividades funcionais e associadas a tarefas domésticas
Deficientes
  • Existe a Lei de Cotas, que infere que as empresas que possuem a partir de 100 funcionários, ao menos 2% das vagas devem ser  ocupadas por pessoas deficientes. As que possuem mais de 1000, devem ter no mínimo 5%.
    - Entretanto, a maioria das empresas não tem incentivos fiscais para a compra dos equipamentos e materiais adequados para esse grupo de pessoas, o que torna a contratação mais difícil.
  • Ainda, os funcionários com deficiência encontrados nas empresas, em maioria, são homens. As mulheres mais uma vez sofrem um afunilamento de oportunidades.
    - Mesmo ocupando alguma vaga, raramente esses funcionários terão a chance de subir para cargos renomados
Faixa etária
  • São considerados 5 níveis hierárquicos das empresas
    - As pessoas entre 25 e 45 anos predominam em três deles: funcional (65,1%), supervisão (68,8%) e gerência (75,5%).
    - As pessoas de 45 anos para cima predominam no conselho administrativo (67,1%) e no quadro executivo (50,2%).
  • Apesar dessa participação da população com 45 anos ou mais ser em cargos considerados bons, essa variação de idade chega normalmente apenas aos 56 anos de idade. Quanto mais próximos à idade de se tornarem idosos, mais difícil se torna sua contratação.
    - O ideal seria ocorrer a aposentadoria normalmente e assim o indivíduo conseguir viver plenamente. Entretanto, muitos não conseguem atingi-la e, se conseguem, muitas vezes não é suficiente, precisam trabalhar. Assim, ocupam vagas desvalorizadas e algumas vezes desgastantes.
Escolaridade
  • As mulheres estatisticamente são maioria nas graduações, ocupando 52,2%, mesmo assim, os homens predominam os setores mais valorizados.
Ações necessárias às empresas
Como dito no início, visando a promoção da responsabilidade e justiça nas empresas, a pequisa avalia quais delas possuem medidas que as favorecem nesse âmbito e indicam o que podem fazer para melhorar.
As empresas devem ter incentivos à participação equivalente entre homens e mulheres, negros e não negros, deficientes e não deficientes,  entre os outros citados, e igualdade de oportunidades. Entretanto, a maioria das empresas que respondeu à pesquisa não possuía esses incentivos, sendo o pior caso para as pessoas negras.
Dessa forma, mesmo algumas já possuindo programas de contratação, qualificação profissional e tentativa de redução da desigualdade profissional, devem rever sua eficácia. 

NA PSICOLOGIA
Trazendo a questão de gênero para o âmbito da Psicologia, pode-se dizer que, notavelmente, desde muito tempo essa é considerada uma profissão feminina. Por possuir um aspecto aparentemente mais emocional, sentimental e cuidadoso, rapidamente se associa às mulheres, assim como a pedagogia e medicina veterinária; e assim como as profissões que envolvem talento artístico como dança (especificamente balé), as áreas da culinária e da moda.

Dessa forma, é importante destacar apenas alguns pontos do papel feminino nessa área, no Brasil.
  • Annita de Castilho Marcondes Cabral (1911-1991) foi uma psicóloga que em 1953 apresentou o projeto do primeiro curso de psicologia no Brasil na USP. Em 1954 ela fundou a Associação Brasileira de Psicologia e reivindicou a criação do curso de Psicologia. 
  • Virgínia Leone Bicudo (1910-2003), paulistana, era neta de uma mulher escravizada alforriada, o que ja tornava difícil seu sucesso profissional. Entretanto, se formou em Sociologia e Política, atando como Psicanalista. Foi a primeira mulher a fazer análises na América Latina e a usar o divã da psicanalista judia alemã Adelheid Koch.
    



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