Os casos brasileiros




No dia 18 de maio deste ano, João Pedro, um adolescente de 14 anos, foi baleado e morto durante uma ação policial no Complexo do Salgueiro, Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Federal, "A ação visava cumprir dois mandados de busca e apreensão contra lideranças de uma facção criminosa da região. Durante a ação, seguranças dos traficantes tentaram fugir pulando o muro de uma casa. Eles dispararam contra os policiais e arremessaram granadas na direção dos agentes." Após esse confronto, a polícia invadiu a casa onde se encontrava João Pedro e seus familiares, sem perguntas, sem justificativas, mas com tiros e granadas. Um dos tiros acertou João, que foi levado para ser socorrido, mas sem ter sua localização nem estado informados à família. Apenas 17 horas depois puderam saber da sua mote e sua localização.

Como dito pelo pai do menino, a polícia não matou somente ele, e sim uma família inteira. Esse foi só mais um dos inúmeros casos de "erros" das ações policiais. Como os policiais invadem uma casa de família e abrem tiros contra todos que se encontram ali sem questionar nada? Por que decidiram atirar mesmo vendo que tinham crianças no local? Se a família fosse branca, teria ocorrido da mesma forma? E por quê não deram absolutamente nenhum suporte à família? Era um direito deles saber o que havia ocorrido e para onde seria levado.

Outro caso de vidas pequenas interrompidas foi do menino Miguel, de 5 anos, que morreu após cair de um prédio, em Recife, pelo descuido da patroa de sua mãe. O menino era filho da mulher que trabalhava com tarefas domésticas para a família do prefeito da cidade. Com essa situação de pandemia, seu serviço não foi dispensado, mas aqueles que poderiam cuidar do seu filho, sim; portanto teve que começar a levá-lo para seu trabalho. Para executar uma de suas tarefas - sair com o cachorro - teve que sair e deixar seu filho sob a responsabilidade de sua patroa, Sarí Gaspar. A mulher, provavelmente sem paciência para observar o menino, o qual não entendia aquela circunstância e queria a presença de sua mãe, o deixou sozinho no elevador do prédio. Ele ficou perdido resultando numa queda do 9º andar, que causou sua morte.

Aqui a questão é: se a criança fosse branca ou se fosse filho de um parente (provavelmente branco), a mulher teria feito o mesmo? Ela provavelmente tinha uma visão indiferente ao menino, visto que era "filho da empregada", portanto não importava o que aconteceria. Isso se dá pela desvalorização à certas vidas - nesse caso, a dos negros.

Esses casos mencionados ocorreram exatamente em meio à onda de manifestações ocorrentes nos EUA, que atingiram o Brasil pelas redes sociais. Com certeza se fosse fora desse contexto, essas mortes não teriam essa atenção tomada na mídia, o que aconteceu com tantas outras dos anos passados. Nós brasileiros costumamos olhar notícias e nos chocar por no máximo dois dias, depois disso.... quem foi que morreu mesmo? 
Foi necessário ocorrer (mais um) assassinato brutal de um negro nos EUA, comovendo a sua população, para que os brasileiros olhassem para seu próprio país e visse o quão "normal" é acontecer esse tipo de coisa.

Segundo dados dos países, o Brasil possui 56% da população sendo preta, e os EUA apenas 13%, isso cria uma impressão de o racismo nos EUA é muito mais forte, mas na verdade é que no Brasil é mascarado demais. Analfabetismo, desemprego, mortes e contaminação são taxas que dominam para o lado dos negros, e isso pelo racismo estrutural altamente falado hoje em dia. Ainda, segundo o site BBC News, "setenta e cinco a cada 100 pessoas assassinadas no país eram negras, segundo o mais recente anuário estatístico do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que teve como base o ano de 2017. A proporção é a mesma entre pessoas mortas em intervenções policiais".

COMO AJUDAR:
Abaixo encontra-se um link que possui as possibilidades de petições a serem assinadas em protesto por essas mortes, os possíveis locais de doação para a causa e materiais para melhor conhecimento do assunto: 


Fontes:

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